Zumbis. Essa é mais uma das repetitivas e tendenciosas palavras que podem representar uma alegoria da sociedade atual. Mas essa sociedade não desenvolve em suas características ecumênicas, algo que possa fascinar certas pessoas de modo a fazer com que um texto atraente e instigante seja escrito. Hoje quero falar daquelas raras exceções, das exceções que fazem nossas vidas serem menos insuportáveis e não da cansativa sociedade como um todo.
Uma coisa que, não sei vocês, mas eu, pelo menos, venho percebendo nos últimos tempos é o fato um tanto quanto óbvio de que essas exceções nem sempre são pessoas inteiras, mas apenas parte delas, ou, até, uma mínima parte. É a ideia da chama azul da descrição do blog. Algumas pessoas tem grandes chamas, outras tem chamas medianas, outras tem chamas quase extintas. E saber ver e apreciar essas chamas é uma das coisas que fazem a vida se tornar um pouco menos desagradável. Todo esse procedimento fica concentrado no campo da intuição, da emoção humana, latente em cada um, inegável, mas simultaneamente ignorável, pelo menos até certo ponto.
Entendendo essa capacidade de localizar as chamas, olho pra dentro de mim e vejo um personagem com a desesperada e impossível vontade de querer recriar o passado, guerrear de verdade por aquilo que não se teve coragem, alcançar o objetivo pelo qual jamais se julgou merecedor ou capaz de obter — é bem possível que essa seja a minha história. Ou de muitos. O mundo é meio que feito disso, de uma parcela de perdedores e outra, bem menor, de vencedores. Esses vencedores são gente que diz que ama, que realmente tem alguem para amar e que é profundamente amado, quase eternamente. Mas tudo acaba. Só que eles podem se gabar por pelo menos terem vivido isso, enquanto outros nem chegaram muito perto. O amor é o maior tema de todos, a coisa que gera o poder das chamas azuis, que move as galáxias e chacoalha a lugubridade. Ninguém pode fugir disso, é uma sina que te molda na Terra, positivamente ou negativamente. E aí vemos mais uma vez a questão da dualidade. Questão não: maldição. A dualidade é uma maldição remasterizada.
O amor me interessa mais que a dualidade, de fato. O amor me lembra de Ester mais uma vez, e da incessante paixão que ela nutre por um colega de classe, que não quer mais falar com ela por algum motivo que não é de meu conhecimento, ou por motivo nenhum, nunca vou entender essa pré-juventude. Ninguém entende. Quem se diz expert na área é tudo charlatão. As pessoas tem mais é que pararem de tentar entender tudo, arrumar resposta pra tudo: para o vazio que é inerente, para o sofrimento das derrotas passadas, para a tristeza do sonho nunca realizado, para cada coincidência, para cada sensação angustiantemente cativante; tudo para chegar cada vez mais perto de um falso conforto de consciência. Eu desafiaria todo mundo a viver com o desconforto, escancaradamente, desafiando a própria consciência. Vamos, assuma a sua enterrada verdade para você mesmo. Assuma a sua própria escuridão.
Mas o que vale na vida mesmo são os certos lapsos de lucidez, que fazem a gente sentir o peso dos anos sobre a crueldade do frio e dos perfumes gloriosos que nos amarguraram profundamente e fazem borbulhar dentro de nós a límpida certeza de que está tudo errado, de que a paixão é um brigadeiro de pedra e que isso só traz lágrimas culposas. Se há algo de bom — se REALMENTE há algo de bom, é algo que já se foi, que está aprisionado, e que a memória não é capaz de simular satisfatoriamente. Mas o mundo não acaba. Ele está aí, esperando você completar seus setenta e nove anos. E a função que talvez tenhamos que exercer seja a de encontrar alguma música que nos faça sorrir pelo prazer inexplicável que ela causa, e entender que talvez essa possa ser toda a felicidade alcançável que existe.
É... Sempre estranho mas inevitável admitir isso como verdade. Grande texto.
ResponderExcluirÉ realmente acredito que nossa sociedade está alienada, agindo como zumbis, esquecendo-se dessa chama que todos no fundo temos, mas temos também nosso lado sombrio, impossível negar;mas o Amor é o mais forte sentimento, a grande busca interior, principalmente o amor próprio,
ResponderExcluirpois um dia o grande "filósofo" JESUS disse:
amai ao próximo como a ti mesmo. "conhece-te a ti mesmo".
Concordo com a Mary..
ResponderExcluirDevemos amar uns aos outros so com o amor fraternal, amigavel e sincero, podemos confortar ou ajudar o proximo..
Assim uma frase ecoista 1º ame vc mesmo depois os outros..
o seu ecoista foi estranho, jéh :x
ResponderExcluirmas valeu os comentários ;D
Concordo com a Mary.
ResponderExcluirE também quando ela diz sobre o que Jesus disse: amai ao proximo como a ti mesmo, devemos reforçar que esse foi o maior ensinamento de Jesus aqui na Terra. Sou católica mas também acredito que a muitos mistérios a serem desvendados e muitas aceitações da igreja católica em relação ao espiritismo. Jesus disse: "amai ao próximno como a ti mesmo e como eu vos ameI". Jesus morreu na curz por todos nós, e temos que fazer o mesmo atualmente pelo nosso próximo. As atitudes que temos aqui na Terra refletem para indicar o lugar para onde iremos após a morte. Se você foi uma pessoa boa e ajudou seu próximo será digna do Reino dos Céus. Se você foi uma pessoa má, que só espalhou o mal na humanidade não seá digno do rein dos céus e queimará no fogo do inferno! Isso é uma reflexão para os nossos atos! Olhe a ti mesmo! :D acho que falei demais! HUASHIAUHSUA
A vida nos tras grandes experiências.O mal, o bem, tudo uma grande experiência.Saber o que queremos, não é tão fácil assim.Mas como ja dizia o poeta, tudo vale a pena.
ResponderExcluirAmor... abordado suavemente, mas abordado. Talvez o AMAR seja a maior fraqueza existente e não o sabor de vitória que ousou mencionar.
ResponderExcluirO Amor nos dá a sensação de liberdade, de poder, mas ao mesmo tempo nos leva a dependência, o real e o mais puro vício do qual se formos privado entraremos em abstinência.
Ma concordo contigo, QUEM AMA, pode dizer que se entrega por inteiro numa sociedade onde 99% da população se entrega é um vencedor, não por poder dizer que AMOU, que sentiu esta sensação, mas por ter a coragem de arriscar a esse nível.
Agradeço os comentários! O acompanhamento de vcs é sempre valioso para mim! ;D
ResponderExcluirEssas chamas azuis são o resultado da combustão fugaz da matéria ou da sucessão de sentimentos humanos?
ResponderExcluirEssa pergunta reflete o dilema inexorável da sociedade contemporânea, que desde a batalha épica entre racionalismo e empirismo temos de enfrentar: vivemos racionalmente ou espontaneamente?
Acho que a intensidade das chamadas "chamas azuis" é o resultado da constante mudança do ser humano. É inegável que algumas pessoas aumentam sua intensidade ao longo da vida (você pode ser um exemplo disso) e outras vivem uma eterna decadência que leva a chama a se extinguir e se tornar parte do grande vazio que recobre todo o universo. A dualidade é a uma maldição, como você afirmou de maneira indúbitavel, pois a mesma nos faz escolher entre opções que, talvez, nunca estejam corretas. Eis a impossibilidade da plenitude...
É Flávio, a sua visão abrangente e intensamente qualificada sempre me ajuda a complementar vários fatores das minhas próprias concepções. Valeu, velho :D
ResponderExcluir